Recentemente os fãs do Planet Hemp foram agraciados com duas maravilhosas obras que relatam a trajetória de uma das bandas mais importantes dos anos 1990. Um filme que ganhou um enredo especial contando a história do Skunk e o amor de dois amigos e uma biografia em livro, um pouco mais crua, que reconstrói trajetória em fotos, histórias e entrevistas. No entanto após o lançamento oficial do livro começou a borbulhar nas redes sociais postagens da Produtora do Planet ao autor da biografia até então tinha sido autorizado a realizar a biografia. Porém o que rolou não está escrito…

A história do Planet Hemp é emblemática. Eles chegaram a ser presos por apologia a droga. Só por cantar letras falando da maconha.
A história do Planet Hemp é emblemática. Eles chegaram a ser presos por apologia a droga. Só por cantar letras falando da maconha.

O debate se torna ainda mais complexo já quede um lado há quem defende a autorização prévia dos biografados o que resulta em uma prévia censura (veto). De outro há quem defende que a vida das “pessoas públicas” pertence a toda a sociedade, e que em caso de uma biografia com inverdades ou invasão de privacidade, no pior das hipóteses deveria ser resolvida juridicamente.

Nós não sabemos o que de fato aconteceu, mas o fato é que Marcelo D2 autografou a biografia e ao que tudo indica pareceu estar de acordo com o biógrafo. Já Marcello Lobatto, CEO da Produtora da Banda mostrou descontentamento em relação a história, sobretudo ao termo utilizado pelo autor do livro, afirmando que seria a história definitiva da banda.

Como assim definitivo se o Planet Hemp ainda tá fazendo história?

Marcelo D2 escreveu isso por se sentir homenageado ou já havia lido o livro?

Depois de uma semana de resenha a Na Moral Produções, empresa que administra a carreira do Planet Hemp, largou no dia 28/12/2018 uma nota em que critica a publicação da biografia “Mantenha o Respeito” que, segundo ela, “é uma colcha de retalhos de inverdades” sem contar aos fãs quais seriam elas e esquece de ouvir integrantes da banda como B Negão. Veja abaixo.

Não poderíamos fechar o ano sem essa nota de esclarecimento sobre o livro lançado a respeito do Planet Hemp. Afinal, foi…

Posted by Na Moral Produções on Friday, December 28, 2018

“Não poderíamos fechar o ano sem essa nota de esclarecimento sobre o livro lançado a respeito do Planet Hemp. Afinal, foi um ano excepcional para o Planet , com um projeto lindo como o Legalize Já – O Filme ganhando o mundo e conquistando prêmios em grandes festivais nacionais e internacionais de cinema, shows lotados em todo o país, 25 anos de banda; enfim, vamos ao motivo da nota…

Em primeiro lugar, “biografia definitiva”? Como dizer que essa é a história definitiva de uma banda que está em plena atividade? No mínimo, questionável. A história do Planet Hemp AINDA está sendo escrita!

Segundo ponto: como o livro que conta a trajetória do Planet Hemp pode se basear em apenas UMA conversa com o protagonista de tudo, o Marcelo D2? E pior, como simplesmente ignora a versão de pessoas tão fundamentais como BNegão, Black Alien, Fernando Gabeira, Marcello Lobatto, Maria Juçá ( Circo Voador), Eddie (produtor da banda há mais de 10 anos), entre tantos outros. Claro que houve muitos relatos de personagens importantes e queridos por todos nós, mas, como “esquecer” peças tão cruciais?!

Apoiamos o autor e fomos surpreendidos com uma grande colcha de retalhos de inverdades. Quando recebemos o livro e iniciamos a leitura ficamos em choque e após várias mensagens de integrantes da banda, figuras importantes do mercado musical e do próprio D2, decidimos que o mais honesto a se fazer seria compartilhar com vocês o nosso parecer.

Bom, para quem quiser ver boas fotos de acervo e ler sobre o ponto de vista de coadjuvantes, boa leitura. Agora, se você espera conhecer com profundidade e fidedginidade o que é a essência do Planet, não perca seu tempo.”

Cesinha Chaves, Marcelo D2, Pedro de Luna and Legalize Já no lançamento do livro na Headshop La Cucaracha, No Rio de Janeiro.

A resposta oficial de Gustavo Guertler, CEO na Editora Belas Letras, e Pedro de Luna, jornalista e escritor foi mais incisivo, inclusive pontuando toda a crítica de Marcelo Lobatto, CEO da Produtora do Planet Hemp.

1. Dos ex e atuais integrantes da banda e funcionários, o autor do livro entrevistou as seguintes pessoas:

Apollo (ex-tecladista da banda) – Entrevista gravada
Bacalhau (ex-baterista) – Entrevista gravada
Black Alien – Entrevista gravada
Formigão (baixista da banda) – Entrevista gravada
Eduardo Vitória “Jackson” (ex-roadie e guitarrista da banda) – Entrevista gravada
Felipe Casqueira (ex-produtor de estrada da banda) – Entrevista gravada
Kadu Carlos (primeiro roadie) – Entrevista gravada
Kleber França (técnico de PA) – Entrevista gravada
Marcelo D2 (vocalista) – Entrevistas gravadas
Marcello Lobatto (empresário da banda e responsável pela nota contra a biografia) – Entrevista gravada
Mario Caldato Jr (produtor dos discos da banda) – Entrevista gravada
Pedro Nicolas (ex-tour manager da banda) – Entrevista gravada
Ronaldo Pereira (primeiro empresário da banda) – Entrevista gravada
Seu Jorge (ex-percussionista) – Entrevista gravada
Zé Gonzales (ex-DJ da banda) – Entrevista gravada
Rafael (ex-guitarrista da banda) – Entrevista gravada
Renata Lopes (ex-funcionária da Na Moral Produções nos anos 1990) – Entrevista gravada
Bruno Pederneiras (atual guitarrista) – Entrevista por e-mail
Daniel Ganjaman (ex-guitarrista e tecladista) – Entrevista por e-mail
David Corcos (ex-roadie e produtor de músicas da banda) – Entrevista por e-mail
Germany Ribeiro (técnico de monitor da banda) – Entrevista por e-mail
Pedro Garcia (atual baterista) – Entrevista por e-mail
BNegão, que o autor considera realmente peça muito importante na história da banda, foi procurado por mais de uma vez; no entanto, não foi possível ouvir o seu depoimento por conta de incompatibilidade de agenda do artista. Claro que é uma ausência importante, mas o autor entendeu que o material reunido já era mais do que suficiente para contar a história da banda. Aguardar mais tempo por Bnegão seria falta de respeito com quem encontrou espaço na sua agenda para colaborar. Se mais alguém ficou de fora e considerou que deveria estar no livro, pedimos desculpas pela omissão, que certamente não foi voluntária.

2. Os áudios das entrevistas gravadas estão bem guardados com o autor e a editora e estão totalmente disponíveis para a imprensa.

3. O livro tem 496 páginas; dezenas de fotos inéditas de bastidores, e 116 pessoas participaram de sua produção, seja como entrevistados, seja cedendo fotografias ou documentos. Ao contrário da produtora, que chama essas pessoas de coadjuvantes, entendemos que elas são, sim, cruciais na história da banda. Este é o nono livro de Pedro de Luna, que viveu a cena do rock e do skate dos anos 90 e 2000 no RJ. Segundo o próprio D2 escreveu na sua dedicatória ao autor, “Pedro, só você poderia escrever essa história. Obrigado”. O objetivo foi sempre ouvir todos os lados da história, buscar a verdade sobre a banda com isenção e imparcialidade. Nesse projeto, Pedro se uniu à editora Belas Letras, que publicou, entre outros, as biografias de Anthony Kiedis (Scar Tissue), Paul Stanley (Uma Vida sem Máscaras), os livros de Neil Peart, Nasi, Ultraje a Rigor, Humberto Gessinger, entre outros, e ainda vai publicar ano que vem a biografia de Bob Marley mais bem avaliada pelos leitores na Amazon.

4. Em nenhum momento, ao contrário do que a nota insinua, ficou combinado que o autor permitiria acesso ao que estava sendo escrito para o empresário da banda, muito menos que ele coordenaria ou aprovaria o conteúdo. Não faria sentido nenhum a história do Planet Hemp ser submetida a qualquer censura do empresário, que tem seu próprio ponto de vista sobre os fatos – que não é o mesmo ponto de vista de outros integrantes da banda, é importante registrar. A ideia era contar a verdade nua e crua, doa a quem doer. A nota da empresa produtora da banda (que também administra o perfil da banda, e compartilhou as postagens nas páginas do Planet) só fortalece essa ideia.


5. Aos leitores, informamos que a biografia vai continuar sendo vendida e não será alterada, salvo se algum leitor identificar erros de informação, que serão corrigidos em próximas edições. Seria uma contradição que um empresário de uma banda que lutou a vida inteira pela liberdade de expressão tentasse desmerecer ou mesmo impedir a venda de uma biografia do Planet simplesmente porque ele não gostou do espaço que ocupa nela.

A história de uma banda não pertence ao empresário da banda. Ela é de todos que a construíram, no palco ou na plateia. E ninguém pode decidir qual é a história certa. Não vai ser o empresário da banda que vai dizer se ela é boa ou ruim (principalmente se ele achar que deveria ter ocupado mais espaço na história), se é completa ou não, mas o leitor. Temos a convicção de que fizemos o melhor que podíamos pelo Planet, todo mundo aqui queimou até a última ponta para entregar a história mais f* de todas para o leitor, a história que todo fã de verdade merece ler, não uma história chapa branca controlada por ninguém.”

Enfim, não cabe a nós dizer quem está certo ou errado, mas obviamente como fã ficamos imensamente chateado com esse tipo de situação. Já que foram mais de 15 anos sem a banda nos palcos e na época de ouro da banda ainda não tinha toda essa galera postando conteúdo freneticamente.

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