Apoiomedicos maconha

Uma das coisas que sempre me preocupo quando estou debatendo a questão da defesa da Maconha são as justificativas que usamos que valem para a defesa de outras drogas. Muitos de nós resolvem não tocar nesse ponto, mas adoramos usar o argumento “precisamos acabar com o tráfico” seguido de “maaaas não sou a favor da legalização de outras drogas”… E é sobre isso que vou brisar neste texto.

Eu luto pela legalização da Maconha, mas sei que só a legalização dela não vai parar o tráfico. É simples assim. Não é porque não uso outras substâncias que não vou defender os usuários/pessoas que usam ou morrem por conta disso. O tráfico não vai parar se legalizarem só a Maconha, logo, você querendo ou não, caso não defenda a legalização de todas as drogas, acabar com o tráfico não é um argumento válido para você usar.

Nós perdemos muitas pessoas que poderiam defender a causa pelo simples fato não sabermos argumentar em defesa delas. E é justamente disso que precisamos, pessoas que saibam defender seus pontos e que estão dispostas a provar que maconheiros e maconhistas, cannabistas e ganjeiros, não são tão modelados e previsíveis quanto o estereótipo preconceituoso nos julga ser.

As divergências dentro dos grupos que defendem a Maconha aparecem quando as pessoas não entendem uma realidade simples e, mesmo sendo comum, parece invisível na sociedade. Estou falando de dois temas conhecidos como “consciência de classe” e “debate de direitos”.

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Em uma você precisa saber de onde veio e para onde quer ir, precisa ter consciência de como você se tornou o que é e o quão privilegiado (ou não) você foi (ou é) até hoje… precisa entender que as pessoas são divididas em classes, que a classe alta é a minoria, porém trata a maioria como se fossem “escravos”, onde pouco mais de 60 bilionários, detém cerca de 50% da riqueza mundial.

Ter consciência de classe te coloca no seu lugar na sociedade, entender sobre debate de direitos, vai determinar se você busca defender somente os seus interesses ou os interesses comuns da maioria da sociedade.

Você reconhece e tem orgulho de onde você veio ou você apaga a sua história passada e vai criando uma nova a cada momento? Você defende a legalização pensando somente em você ou em todo mundo?

Se acabar com o tráfico é uma preocupação sua, então você precisa entender que acabar com o tráfico significa juntar as bases (classes sociais), conseguir apoio da população periférica (classe que mais sofre com a proibição) e trazer a classe trabalhadora para o debate (conseguindo isso, consegue-se qualquer coisa). Você deveria entender que acabar com o tráfico é unir as pessoas contra um sistema corrupto e falho. Você deveria saber que acabar com o tráfico é SIM legalizar TODAS as drogas!

Depois disso de ler e entender sobre isso você pode decidir por você e isso não tem o menor problema… o problema é não saber argumentar suas posições e escolhas, usando sentimentalismo e crenças individuais para debater assuntos que irão afetar toda uma sociedade (direitos individuais x direitos sociais). Com isso fica a decisão:

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Escolho lutar pelo direito de fumar e plantar de boa na minha casa e não uso o argumento do tráfico ou compro a briga pela legalização de todas as drogas em prol das famílias que se veem reféns desse sistema?

Eu, como já falei antes, defendo a legalização de todas as drogas e uso de todos os argumentos para defender meus pontos (que geralmente abrangem a melhoria social e não somente a minha vida, afinal eu já fumo mesmo sendo proibido e não vou parar porque a sociedade não reconhece esse meu direito individual).

Mas a partir desse debate, muita gente justifica que a Maconha não é droga e que não deve ser tratada como uma. Essas pessoas devem esquecer que apesar da Maconha ser algo natural e ter um amplo potencial na medicina e na indústria, ainda somos tratados da mesma forma que todos os outros usuários, pois qualquer substância que altera alguma função no organismo, seja ela boa ou ruim, é considerado como droga (e a mídia, proibicionistas e afins, sabem disso).

Além do que, usar o argumento do tráfico e não lembrar da favela é a mesma coisa que morar no Brasil e falar de arroz, sem lembrar do feijão. Devemos lembrar que a favela foi originada pela segregação e abandono social, carregada de discriminação racial. O tráfico foi criado pelos revoltados com o sistema que não aceitam viver sob esse regime escroto e imposto a todos.

Muitos repudiam as outras drogas e alguns até gostam de glamourizar os usuários de Maconha, vendo-os como diferentes dos outros, mesmo não sendo e sofrendo o mesmo tipo de pressão, com diversas informações compradas e divulgadas com interesses obscuros. Ainda não é legalizado, galera, então segura essa onda de sommelier de Maconha aí, vamos à luta!

E para aqueles que estão achando que é frescura falar de consciência de classes, tente imaginar você crescer numa terra “sem lei”, onde nem água limpa chega direito? Imagina suas amigas sendo estupradas, crianças tomando tiro e seus amigos morrendo na mão de polícia despreparada? Isso acontece direto… e se fosse comigo, não tenho como dizer o que faria… não se tivesse nascido e esse fosse o exemplo que viesse a mim por todos os lados. Televisão ensinando que devem temer as favelas, novelas vendendo sonhos e você tendo que ver seus filhos pedir dinheiro no sinal. Sorte daqueles que tiveram acesso a informação e estrutura psicológica para se manter na linha e fugir desse meio, pois a única defesa para o “animal” coagido é o ataque e só colocá-lo em jaulas não resolve o problema.

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Para fechar esse descarrego de ideias embaralhadas e organizadas pela brisa da Ganja, chamo a todos que entendem isso, que divulguem essa ideia, que nos unamos para reforçar o debate sobre o tráfico e escutar os direitos sociais dos nossos irmãos e irmãs, amigos e amigas, que sofrem e se escondem por trás da hipocrisia que a sociedade nos impõe.

Essa união de classes se for compreendida pela maioria da população, simplesmente não existiria governos que se atreveriam a ir contra as massas. Hoje, por conta dessa desunião e esquecimento de nossas raízes, é possível continuar a estratégia “separar para conquistar”, usando a mídia para dividir a opinião pública, implantando ideias na cabeça das pessoas.

Vamos nos unir e alinhar o discurso, com isso, não existe causa perdida!

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