Logo na entrada da Expocannabis era possível encontrar o stand do Ministério de Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP), mostrando que o Estado estava presente, apoiando o evento e brindando informações sobre a localização dos cultivos legais. É importante ressaltar que MGAP sempre esteve presente e contribuindo com uma assessoria especializada para os que desejam “operar, cultivar e comercializar canábis sem psicoativo”, como é o caso dos produtos têxtis e farmacológicos.

Seguindo por esse nicho, um dos stands expôs informações sobre o Epifractán, medicamento que contém menos de 1% de THC e THCA e é indicado a crianças e adolescentes com epilepsia refrataria. O mesmo stand trazia informações sobre o Cannabi Piel, que é um creme reparador, indicado para reduzir os sintomas da acne, alergias e dores musculares leves. É importante ressaltar a chegada de empresas canadenses no país e a movimentação da indústria farmacológica, as parcerias estão acontecendo rápida e incisivamente.

A Kumarihemp também mostrava produtos derivados do cânhamo. Mochilas, pochetes, chapéus, carteiras… Era uma variedade impressionante de produtos artesanais elaborados com fibra vegetal e que refletiam o primor que só o cuidado e a paixão do artesão podem alcançar. Em contraponto, camisetas estampadas feitas em larga escala eram vistas em quase todos os stands, mostrando que há uma demanda importante por uma moda com temática canábica.

Se tratando de cultivo, muitos stands mostravam a tecnologia empregada no setor. Os espaços do Urugrow, Hemp Passion e Tu Cultivo, por exemplo, mostraram o que há de mais moderno em fertilizantes, solos, defensivos, estufas e sementes. Cabe citar que, como em outros nichos, o orgânico é apreciado e custa mais, então toda tecnologia é bem-vinda para gerar flores saudáveis e otimizar o potencial da planta. Os grow shops uruguaios, sem dúvidas, estão preparados para auxiliar o produtor no processo de plantio e colheita, apesar de ser um negócio que movimenta rios de dinheiro, o uruguaio é generoso e compartilha o conhecimento com muita nobreza.

Tecnologia era a cara da Expo. O stand dos chilenos da Resina Company, com certeza, foi uma das atrações principais. Eles são especializados na fabricação de sistemas portáteis para a extração de resina livre de solventes e disponibilizaram algumas prensas para que os participantes pudessem testar e, para muitos, provar pela primeira vez uma extração pura. A resina tem maior concentração de THC ou CBD que a folha seca e é utilizada para diversos fins, dentre eles, medicinais e recreativos.

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Assim como a Argentina e Chile, o Brasil também estava presente na feira. Os brasilienses da Papelito levaram o prêmio de melhor stand da feira e, realmente, estava impressionante. Com produtos excelentes, distribuição de prêmios, disponibilidade e gentileza para explicar sobre a tecnologia empregada nos produtos, conquistaram o público. A brasileira Purple Fire também marcou presença, trazendo seus isqueiros até o Uruguai.

Havia empresas de muitos países, mas a presença dos brasileiros, seja como empresa ou como visitantes, com certeza foi notada. Além dos turistas que chegaram de forma independente e dos brasileiros residentes, a Weed Tour levou um número considerável de turistas e possibilitou grandes experiências canábicas. Trabalhando há um ano no Uruguai, a empresa se especializou no turismo canábico e já tem um grande market share no setor.

Nazareth Gutiérrez capturou uma bela Eleven Roses na Expocannabis
Nazareth Gutiérrez capturou uma bela Eleven Roses na Expocannabis

A Expo mostrou que o negócio canábico está em franco crescimento e que podemos esperar por muitas novidades. Ainda há muitos campos pouco ou não explorados, mas já se nota a disposição para a criação de novas demandas de consumo e que a canábis legal passou a ser, também, uma grande aposta capitalista. O governo Uruguaio atua com bastante responsabilidade, promovendo campanhas educativas e de proteção à saúde pública, demonstrando que a normatização do uso de canábis é um caminho inteligente para solucionar questões nos campos da segurança e da saúde.

Minha impressão foi que, ao menos por enquanto, cidadão e consumidor não são vistos como pessoas diferentes. Existe o mercado, mas também existe a reflexão sobre o sentido do consumo da canábis e isso parte do Estado e do próprio cidadão, de maneira geral. Obviamente, nem tudo são flores e nem toda planta é fêmea.

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