Apoiomedicos maconha

O jornal “O Globo”, do dia 15/01, publicou um artigo do deputado Osmar Terra, no qual este nos expõe sua opinião sobre a questão das drogas. Apesar do festival de equívocos e informações distorcidas ali presentes, não haveria motivo para grandes preocupações, não fosse o nobre deputado autor do projeto de lei que pretende endurecer a nossa lei de drogas. Se for aprovada a sua proposta, a pena mínima do traficante será aumentada para oito anos e a internação compulsória de usuários será generalizada.

A nota marcante do artigo é o discurso do medo, chamariz de votos preferido de políticos inescrupulosos. Ali descobrimos que o Brasil é o país mais violento do mundo, e que a causa de tanta violência passa longe de questões sociais; desigualdade, miséria e desemprego são, de acordo com o parlamentar, “discursos ideológicos” que atrapalham a política de segurança. A raiz do problema, diz ele, é um “tripé”: drogas, legislação frouxa e sistema prisional em ruínas. E a solução, consequentemente, é aumentar o rigor das leis penais, intensificar a repressão ao tráfico de drogas e construir mais presídios. Ou seja, mais guerra às drogas.

O que o ilustre deputado não menciona é que esta estratégia vem sendo utilizada há meio século tendo como único resultado “positivo” o encarceramento em massa por crimes relacionados a drogas. Por outro lado, o número de usuários só cresce, e o mesmo acontece com os lucros de quem se aventura neste mercado.

O fracasso da guerra às drogas é tão retumbante que o mundo todo já discute novos caminhos para lidar com esse problema. Até mesmo os EUA, que inventaram essa guerra perdida e durante décadas impuseram a mesma diretriz aos demais países do continente, já estão reconhecendo o equívoco. Com a maior população carcerária do mundo e quase 1 milhão de prisões relacionadas apenas à maconha, hoje já há mais de 20 estados permitindo o uso medicinal da canábis, e dois estados já aprovaram o seu uso recreativo.

Sendo a maconha a droga mais consumida no planeta, uma política de drogas que funcione passa necessariamente por uma solução para esta polêmica planta. E países como EUA e Uruguai estão começando a testar algumas possibilidades, mostrando que o caminho é a regulação responsável deste imenso mercado. O que falta para o Brasil trilhar o mesmo caminho?

Via O Tapa – Ativismo Canábico
Texto por Chico Brito

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