Apoiomedicos maconha

Defensores da Maconha Medicinal atacam governador de Minnesota, Mark Dayton, e pressionam por aprovação da lei

A maconha medicinal, ou cannabis, é legal em 22 estados dos Estados Unidos, onde é usada para uma variedade de condições médicas como transtornos do humor, transtornos dolorosos, esclerose múltipla, e até mesmo câncer.

A maconha medicinal não é uma cura milagrosa para todos… mas tem se tornado conhecida pela sua eficácia em algumas recuperações muito milagrosas. Infelizmente, se você tem ou não acesso à potencial mudança de vida que esse remédio natural pode proporcionar, isso vai depender do seu código postal – fato que está levantando protestos crescentes nos EUA.

Apesar do fato de 85 a 95 por cento dos estadunidenses serem a favor da cannabis medicinal, e quase 60 por cento serem a favor da legalização da maconha, muitas pessoas ainda são incapazes, por motivos legais ou por outros motivos, de terem acesso a este tratamento natural.

Isto pode ser ainda mais perturbador no caso das crianças, especialmente quando seus pais estão desesperados para encontrar um remédio seguro que possa dar a seus filhos uma chance.

O governador de Minnesota, Dayton, recusa-se a legalizar a maconha medicinal, apesar dos apelos dos pais

A questão veio à tona recentemente em Minnesota, onde os pais de crianças com epilepsia se reuniram em uma coletiva de imprensa para compartilhar a sua consternação com o governador Mark Dayton que se recusa a legalizar a maconha medicinal.

Os pais se revezavam descrevendo as convulsões que seus filhos estão sofrendo, mas, ao invés de considerar a legalização, o governador sugeriu que as famílias considerem os ensaios clínicos de 2 milhões de dólares com uma substância que permitiria às crianças obterem o “alívio de que precisam o mais rápido possível”.

Esta resposta me faz lembrar de um comentário comovente feito pelo Dr. Allan Frankel, um internista credenciado na Califórnia, que tem tratado pacientes com cannabis medicinal nos últimos sete anos. Quando o governo quer se livrar de todo o uso medicinal da maconha, ou se recusar a legalizá-la, ele levanta a questão: Por que?

Segundo o Dr. Frankel, a resposta é simples. “Eles querem isso. Este é um enorme mercado”, disse ele. Maconha medicinal é claramente uma concorrência para a indústria farmacêutica, mas, mantendo-a restrita a um julgamento farmacêutico, eles podem manter o controle e os lucros.

É uma vergonha notável, especialmente para uma condição como a epilepsia, por que a maconha medicinal tem mostrado tal promessa. Até mesmo a Epilepsy Foundation [Fundação de Epilepsia] pediu maior acesso à maconha medicinal e pesquisa. O seu presidente e CEO, declarou:

“Alguns indivíduos, especificamente famílias de crianças com epilepsia de difícil controle, estão usando o que é chamado de óleo de canabidiol, ou óleo de CBD, e anedoticamente estão vendo resultados notáveis. Isto é verdadeiramente espetacular – a qualquer momento alguém encontra um tratamento que impede convulsões, porém não é motivo de comemoração porque a prisão de uma pessoa significa pode significar a prisão para os outras.

… Estamos defendendo os direitos dos pacientes e das famílias para determinar com o seu médico se este é um tratamento adequado para eles, mas nós reconhecemos as incertezas e as dificuldades desta decisão para um paciente individual.

… Como pais, sabemos a dor de ver os nossos filhos sofrerem ataques descontrolados. Sabemos como a epilepsia impacta no desenvolvimento de crianças para as quais nenhum tratamento atual disponível tem sido bem sucedido. Nós sabemos sobre os perigos que podem ocorrer quando as famílias são forçadas a deixar os sistemas de saúde e médicos que conhecem para se deslocar para outros estados.

… Sabemos que a diferença entre ter convulsões recorrentes e não ter convulsões pode significar a diferença entre a vida e a morte… Se um paciente de epilepsia e seu médico sentirem que a maconha é a sua melhor opção de tratamento, então eles precisam ter acesso seguro e legal a maconha medicinal e eles precisam que o acesso seja agora.”

Canabidiol (CBD): As Propriedades Medicinais da Maconha

A maconha era uma medicina botânica popular nos séculos 19 e 20, comum em farmácias dos Estados Unidos desse tempo. No entanto, em 1970, a erva foi declarada uma substância controlada Classe 1 e rotulada como uma droga com um “alto potencial de abuso” e “uso medicinal não reconhecido.”

Três anos mais tarde, a ‘Drug Enforcement Agency (DEA)’ foi formada para se fazer cumprir as listas de drogas recém-criadas, e a luta contra o uso de maconha começou. Mesmo nos estados onde o uso da maconha medicinal é legal, como a Califórnia, o DEA invadiu estabelecimentos de fornecedores de maconha medicinal e até mesmo pacientes foram presos, pois em nível federal a posse ou distribuição de maconha ainda é considerada uma ofensa criminal.

Como são frequentes os casos, o governo dos EUA não deve estar acompanhando, ou, mais provavelmente, intencionalmente vem fazendo vista grossa sobre o papel potencial da maconha para usos medicinais, pelo menos até que possa assumir o controle total. A guerra federal sobre a maconha é realmente estranha, considerando-se a legalidade de cigarros e álcool – produtos que têm muito maior potencial de prejudicar a saúde pública, sem que tenha nenhum dos benefícios medicinais. Para não se falar que o ‘US Food and Drug Administration (FDA)’ aprova drogas, prescritas pelos médicos todos os dias, que matam mais de 100.000 americanos por ano.

A fim de realmente compreender o movimento atrás da maconha medicinal, você deve primeiro entender que esta erva realmente faz mostrar excelente promessa como uma planta medicinal, em grande parte devido ao seu teor de canabidiol (CBD). Os canabinóides interagem com seu corpo por meio de receptores de canabinóides naturalmente incorporados nas membranas celulares por todo o corpo. Existem receptores de canabinóides no cérebro, pulmões, fígado, rins, sistema imunitário, e muito mais. Ambas as propriedades terapêuticas e psicoativas da maconha ocorrem quando um canabinóide ativa um receptor canabinóide.

Em sua prática médica, Dr. Frankel trata uma grande variedade de pacientes com a cannabis medicinal, que se tornou sua especialidade. Ocasionalmente, os pacientes têm resultados muito dramáticos. Por exemplo, ele tem visto tumores praticamente desaparecerem em alguns pacientes sem uso de nenhuma outra terapia, exceto tomar de 40 a 60 miligramas de canabinóides por dia. A coisa mais comum que ele vê em pacientes com câncer, no entanto, são tumores encolhendo, ou um desaparecimento da metástase. Às vezes, os tumores vão encolhendo ou desaparecerem, apenas para ressurgirem em outras áreas, meses mais tarde, e depois diminuírem ou desaparecerem novamente… Outras doenças comuns estão sendo tratadas com cannabis como:

  • Transtornos de humor
  • Transtornos dolorosos
  • Desordens neurológicas degenerativas, tais como a distonia
  • Esclerose múltipla
  • Doença de Parkinson
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
  • Distúrbios convulsivos

A Maconha Medicinal tem sido extensivamente estudada, com resultados positivos

Mesmo uma rápida revisão dos dados sugere que a cannabis merece mais do que um olhar de passagem, com um potencial para tratamento de várias doenças. Há uma riqueza de pesquisas ligando a maconha com o alívio da dor e melhora do sono. Em um estudo, apenas três baforadas de maconha por dia durante cinco dias ajudou aqueles com dor crônica do nervo a aliviar a dor e dormir melhor. A Americans for Safe Access também tem links para estudos de investigação que sugerem que a maconha pode ajudar no tratamento ou prevenção da doença de Alzheimer e câncer, como pode-se observar em sua nota:

“Até o momento, mais de 15.000 artigos científicos modernos feitos pelo sistema de “revisão por pares” sobre a química e farmacologia da cannabis e seus canabinóides têm sido publicados, bem como mais de 2.000 artigos sobre os endocanabinóides naturais do corpo. Nos últimos anos, mais estudos humanos controlados com placebo também foram realizados.

Em 2009, uma revisão de estudos clínicos realizados durante um período de 38 anos, descobriu que “quase todos os 33 estudos clínicos controlados, publicados e conduzidos nos Estados Unidos têm mostrado benefícios significativos e mensuráveis ​​em indivíduos que receberam o tratamento”. Os autores da revisão observaram que os canabinóides têm a capacidade de analgesia através da neuromodulação em vias ascendentes e descendentes da dor, neuroproteção, e os mecanismos de todos os anti-inflamatórios, o que indica que os canabinóides encontrados na cannabis têm aplicações em gerenciamento de dor crônica, espasticidade muscular, caquexia, e outras condições debilitantes.

Atualmente, a cannabis é mais frequentemente recomendada como medicina complementar ou adjunta. Mas há um consenso substancial entre os especialistas nas disciplinas relevantes, incluindo o ‘American College of Physicians’, de que a maconha e medicamentos à base de cannabis possuem propriedades terapêuticas que poderiam tratar uma variedade de doenças graves e crônicas.”

O que é surpreendente é que o seu corpo é realmente “programado” para responder a canabinóides através de um sistema receptor canabinóide único. A investigação ainda está em curso sobre o quão extenso é seu impacto sobre a nossa saúde, mas até agora se sabe que os receptores de canabinóides têm um papel importante em muitos processos do corpo, incluindo a regulação metabólica, os desejos, a dor, a ansiedade, o crescimento ósseo, e a função imunológica.

Um relatório do Dr. Manuel Guzman publicado na revista Nature Reviews sugere que esses componentes ativos da maconha e seus derivados também são potenciais agentes anticâncer: “… estes compostos [canabinóides] tem se mostrado como inibidores do crescimento de células tumorais em cultura e em modelos animais, modulando as principais vias de sinalização celular. Os canabinóides são geralmente bem tolerados, e não produzam os efeitos tóxicos generalizados de quimioterapias convencionais”.

A diferença entre Cannabis e Hemp

Existem dois grupos distintos de estirpes de maconha. Um deles é o das Cannabis [indicas e sativas em geral]; o outro é o da Hemp [ruderalis; “cânhamo”]. Há muita confusão sobre as semelhanças e diferenças entre esses dois tipos. Enquanto são subespécies da mesma espécie de planta, se apresentam muito diferentes, e são extremamente diferentes de maneiras que realmente importam quando se trata de uso medicinal.

O fato que eles têm em comum é que ambos contêm o canabidiol (CBD), que tem propriedades medicinais. A quantidade de CBD, no entanto, difere significativamente entre os dois. A dosagem, portanto, é dramaticamente diferente, logo você não deve tentar usar a hemp em vez de cannabis, pois a última, cannabis, é até 100 vezes mais potente. Outra diferença que aparece em termos de sua utilidade como medicina relaciona-se com diferentes perfis de terpeno. A hemp contém muito pouco destes compostos medicinais valiosas.

Por fim, há o teor de tetrahidrocanabinol (THC). THC é o componente psicoativo da maconha; é a molécula que faz você se sentir “chapado”. (Embora o CBD também tenha certas propriedades psicoativas, não produz um alto efeito.) Por definição legal, a hemp não pode ter mais do que 0,3 por cento de THC. Então, para resumir:

  • Hemp tem menos valor para usos medicinais, uma vez que contém cerca de apenas quatro por cento de CBD e carece de muitos dos terpenos medicinais e flavonoides. Além disso, contém menos de 0,3 por cento de THC, o que significa que não pode produzir uma onda ou levá-lo a ficar chapado. No entanto, para muitos processos de doença, o THC é muito indicado e necessário. Assim, para muitas doença, sozinho o CBD tem muito menos valor.
  • Cannabis é um potente medicamento que oferece quantidades elevadas (cerca de 10 a 20 por cento) de CBD, níveis críticos de terpenos medicinais e flavonoides, bem como THC em proporções variadas para várias doenças. O alto nível de THC proporciona efeitos psicoativos mais pronunciados.

Durante os anos 60 e 70, os produtores se concentraram em aumentar o teor de THC e, devido à produção afora o todo-importante CBD, a maconha se tornou conhecida principalmente como uma planta que lhe dá “onda”. Suas propriedades medicinais originais e utilizações em grande parte caíram no esquecimento. As coisas estão mudando, no entanto, de acordo com Dr. Frankel:

“Cinco anos atrás, médicos da Califórnia, e outros grupos ao redor do mundo, realmente não sabiam se iriam encontrar cepas mais ricas em CBD, mas nós temos. Agora há muitas variedades diferentes. Continuamos trazendo novas cepas mais ricas em CBD a cada um ou dois meses.”

Os efeitos curativos da Maconha In Natura

Embora a grande maioria dos usos da maconha seja através da queima e inalação, o vídeo acima apresenta alguns dos principais pesquisadores sobre os efeitos curativos da cannabis in natura. As folhas podem ser comidas em uma salada ou processadas para se extrair seu suco. Este é apenas um modo de consumir esta planta medicinal. Você também pode encontrar maconha em forma de óleo ou consumi-la, como muitos pacientes de maconha medicinal fazem, usando um vaporizador. O dispositivo vaporiza a maconha, sem qualquer um dos subprodutos da combustão, o que permite uma forma limpa de ingestão.

Enquanto estados individuais ainda estão lutando sobre a possibilidade de legalizar a maconha medicinal, há uma série de estados que a têm nas cédulas de votação das eleições em novembro deste ano. Esta é uma tendência que é improvável de se abrandar tão cedo. Estima-se que o mercado legal de maconha cresça para 2,34 bilhões de dólares em 2014, tornando-se uma das indústrias que mais cresce (se não a mais rápida).

Esperamos que, com o seu uso se expandindo, mais pessoas tenham acesso a um outro tratamento natural para tomar o controle de sua saúde. Tenha em mente que, pelo menos por ora, mesmo se você vive em um estado onde a maconha medicinal é legal, a potência da cannabis varia muito, assim como os seus efeitos quando ingerida.   É por isso que especialistas como o Dr. Frankel são muito focados na tentativa de desenvolver doses mais precisas e consistentes. Nos Centros de Acesso de Pacientes, ele consulta como criar um conjunto diversificado de sprays orais com doses consistentes. Ele também acredita que é muito importante se abrir e começar a falar sobre a dosagem, o que funciona e o que não funciona. É sua convicção que alguns pacientes, em grande parte devido à falta de educação sobre o medicamento, acabam tomando doses que são 10 ou até mesmo 100 vezes maiores do que é realmente necessário para tratar a sua doença. Infelizmente, muitos médicos da área ainda são bastante controversos e receosos em recomendar doses de maconha medicinal, por medo das repercussões.

Tradução: SmokeBud
Fonte: Dr. Mercola
Via: Health Impact News Daily

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here