Apoiomedicos maconha

Quem já tomou uma dura sabe que a mão da polícia pode sempre parar em seus bolsos, ou pior, dentro de sua cueca. Entenda mais sobre a política errônea das abordagens policiais na coluna do advogado e ativista André Barros.

Sempre achei ultrajante, sob todos os pontos de vista, a atitude da polícia e da guarda municipal de enfiar a mão nos bolsos das calças da juventude no meio da rua para procurar “bagulho”. Como temos historicamente uma polícia de costumes, que reprime a juventude negra e pobre, esses “baculejos” fazem parte das usuais práticas policiais repressoras. Os agentes do sistema penal punitivo, que atuam na rua, deveriam ter uma postura investigativa e apenas abordar pessoas que estivessem em atitudes que justificassem tais revistas pessoais. Alguém que esteja visivelmente portando uma arma de fogo, por exemplo, deve sofrer a famosa “geral”.

Os consumidores de drogas costumam esconder a maconha dentro da cueca ou entregar a alguém do sexo feminino para carregar, já que o contingente masculino da polícia é maior em tais abordagens vexatórias, que não poderiam ser teoricamente realizadas em mulheres. Assim, é comum policiais colocarem suas mãos nas cuecas de garotos na rua para encontrar, em regra, maconha. Prática criada para esse tipo de conduta criminalizada.

Além do vexame de uma pessoa que sofre esta revista, o policial que a realiza não desempenha uma tarefa que poderíamos chamar de “urbana”. Pois ninguém fica enfiando a mão nas calças e cuecas dos outros pelas calçadas das cidades, jamais vi ou presenciei algo semelhante.

Escrevo isto em razão de pesquisa realizada pelo juiz da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, antigo colega dos tatames da saudosa academia de Jiu-Jitsu do Carlson Gracie da rua Figueiredo Magalhães em Copacabana. Sempre determinado e estudioso na arte suave, o faixa preta virou Juiz. O mestre fez uma interessante pesquisa, demonstrando estudo em que 14 % dos casos de pessoas presas por drogas ocorreram em razão destas revistas pessoais, sendo que em 5% dos casos a maconha foi encontrada na cueca.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Falou, mas não falou nada. Eu também sempre achei ultrajante, decadente e falta de respeito com qualquer ser humano. Mas e aí? O texto propõem o que? Porra nenhuma.

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