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A legalização da maconha nos Estados Unidos está fazendo muita gente pensar diferente, o diplomata, Alexandre Vidal Porto, diplomata contou a Folha de S. Paulo como é a experiência de uma lei diferente.

Fiquei chocado quando descobri que meus melhores amigos fumavam maconha. Foi minha primeira grande decepção.

Era como se, de repente, todo o meu círculo social se tivesse transformado em marginais. Sentia-me ameaçado e traído ao mesmo tempo. Eu tinha 17 anos.

Faz duas semanas, estive em uma conferência de livreiros em Denver, no Estado americano do Colorado. Quando cheguei, a primeira coisa que meus companheiros de reunião me perguntaram foi: você já visitou os “dispensários”?

No começo, não entendi a pergunta. Foi só depois que me dei conta de que “dispensários” (“dispensaries”, em inglês) eram as lojas autorizadas a vender maconha e derivados.

Em 2012, o Colorado regulamentou o consumo e a venda de maconha. Adultos maiores de 21 anos podem comprar até 7 gramas de marijuana para uso recreativo.

Desde então, esses dispensários viraram atração turística.

Vendem de tudo: a maconha propriamente dita –em múltiplas variedades e potências–, mas também comestíveis, extratos e cosméticos. As leis de controle são muito semelhantes às aplicadas ao consumo de álcool.

A legalização gerou uma grande indústria.

No Colorado, que tem apenas 5,4 milhões de habitantes, as vendas de maconha e derivados alcançaram o montante de US$ 1 bilhão em 2015.

O rapper Wiz Khalifa anunciou recentemente o licenciamento de uma linha de produtos de maconha –inclusive uma variedade da erva– com seu nome.

Em 2014, o governo do Estado recolheu US$ 121 milhões em impostos sobre essas vendas, dos quais US$ 13,3 milhões foram diretamente para a construção e manutenção de escolas.

Nos Estados Unidos, além do Colorado, quatro Estados legalizaram o consumo recreativo, e 23, o uso medicinal.

Há indícios de que a onda de legalização tenha afetado os cartéis mexicanos que abasteciam esses mercados ilegalmente, porque, no México, a criminalidade associada ao tráfico caiu.

Em países como o Uruguai, em que o consumo e a distribuição da maconha também foram legalizados, os resultados relativos a saúde e à criminalidade são encorajadores. Os Estados Unidos começam a entender essa lógica.

Se você me perguntar quem ganha com a legalização, a resposta é “todos”: o produtor (que sai da ilegalidade e ingressa no mercado formal), o governo (que recolheria impostos) e o consumidor (que não se expõe à criminalidade e conhece a qualidade do que está comprando).

E quem perde? Os traficantes e todo tipo de pilantra que se beneficia do dinheiro sujo e da criminalidade gerados pelo tráfico.

O Brasil deviera seguir na mesma onda. Mesmo que a opinião pública rejeite a ideia com base em preconceito e desconhecimento, é da responsabilidade do governo esclarecê-la.

A recusa por parte do Executivo e do Legislativo brasileiros em discutir o tema de forma séria e consequente, como têm feito outros países, só pode ter duas explicações: ignorância ou má-fé.

Pode ser um choque para você –como foi para mim aos 17– descobrir que essas pessoas –produtor, traficante, consumidor– existem. Ou pode ser que você até já tenha fumado sua maconhazinha durante o Carnaval.

Qualquer que seja o seu caso, não há como mudar o fato de que muitas das pessoas com quem lidamos social ou profissionalmente, sim, fumam maconha.

São elas as pessoas que compram o papel de enrolar cigarros à venda em todas as bancas de jornal de cidades como Nova York ou São Paulo.

Abandonar a hipocrisia, aceitar a realidade e transformar perdas em ganho é o que governantes inteligentes e honestos deveriam propor ao Brasil.

Ninguém encontra dificuldade para comprar maconha nas grandes cidades brasileiras.

Toda a sociedade se beneficiaria com a legalização de um hábito que já nos é comum e corrente.

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