Apoiomedicos maconha

Fazem algumas semanas, a minha filha Júlia, junto com vários dos coleguinhas da escola, cantaram na apresentação do dia da família a música Maluco Beleza do Raul Seixas.

Enquanto as crianças cantavam, eu observava as pessoas dançando, se sacudindo, balançando e cantando juntas. Era quase que uníssono o comportamento das pessoas em torno do som, do ritmo e das vozes das crianças.

Por que será que nos identificamos com essa música?

Será que todos nós queremos ser um pouco esse maluco beleza? Será que vivemos uma dicotomia entre ser uma pessoa “normal”, que se encaixe em padrões ou ser alguém “cool”, que questiona e enfrenta os padrões da normalidade?

Ou será apenas uma reação humana natural, frente ao som da música, principalmente quando cantada em ritmo de rock por centenas de crianças?

Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual…

Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total
Na loucura real…

Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez…

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza…

E esse caminho
Que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
Por não ter onde ir…

Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Eeeeeeeeuu!…
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com toda certeza
Maluco, maluco beleza…

A lembrança está bastante viva na memória e talvez um dia eu ache as respostas para o que aconteceu naquele dia.

A seguir adaptações “poéticas” na letra do Raul sobre o que penso do preconceito em relação ao uso medicinal da maconha.

Anny, enquanto as pessoas se esforçam para serem normais e “tratar” tudo igual
Eu do meu lado aprendendo a ser louco e buscar o real, o que não te fará mal.
Controlando a minha maluquez, que se julga ser minha lucidez”

Vou ficar Ficar com certeza Maluco beleza
Eu vou ficar Ficar com certeza Maluco beleza…

Controlando suas convulsões, buscando sempre a sua lucidez…

Não adiantava continuar fazendo tudo igual, achando que encontraremos resultados diferentes no tratamento dos nossos filhos, usando os mesmos métodos e medicamentos ano após ano, década após década.

Fazer sempre tudo igual esperando encontrar resultados diferentes, isso sim é ser maluco total.

O Raul tinha razão, é preciso sempre questionar o que está posto, o que achamos ser lucidez, pois existem muitos preconceitos enraizados que não conseguimos nem perceber por causa dos nossos paradigmas atuais.

#PenseNisso.

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Mestre em Engenharia de Produção pela UFSC, consultor empresarial, professor universitário e funcionário de carreira da CAIXA. Pai da Anny Fischer, primeira brasileira autorizada judicialmente a importar derivado da maconha para uso medicinal. Casado com Katiele Bortoli, a familia luta unida pelo direito ao acesso de todos e da livre escolha em como se tratar: importando, produzindo no Brasil, laboratório ou auto cultivo da maconha.

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