Recentemente muitos portais divulgaram a nota do atual ministro da justiça em que Alexandre de Moraes disse que iria erradicar a maconha na América Latina. O burburinho desse novo governo, que diga-se de passagem mais corrupto do que todos os outros juntos, percebeu a impopularidade da declaração apertando o pescoço e através do Ministério da Justiça e Cidadania mandou avisar, até queremos, mas não podemos.

Em relação ao novo Plano Nacional de Segurança Pública, jamais houve qualquer proposta no sentido de erradicar o plantio e comercialização da maconha em toda a América do Sul, mesmo porque isso jamais seria de competência do Brasil e não se coaduna com os modernos métodos de combate ao crime organizado.

Entenda a história:

Alexandre de Moraes chocou especialistas em segurança pública na segunda-feira ao apresentar as diretrizes do plano de redução de homicídios que lançará em breve.

Participaram do encontro, no escritório da Presidência em São Paulo, representantes do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Instituto Igarapé, Instituto Sou da Paz e Open Society.

Moraes, já foi ao Paraguai em julho deste ano e mandou filmar destruindo pés de maconha e através dos seus interlocutores já citou que quer erradicar a maconha na América do Sul — feito que os Estados Unidos não conseguiram com a folha de coca na Colômbia.

A intenção é frear a maconha (ruim) que vem do Paraguai, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, na contramão da política antidrogas na maior parte do mundo, que tem avançado em debates pela descriminalização e legalização da maconha frente a opção da “guerra às drogas”.

Entrevistada pela UOL, Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes e ex-diretora-geral do sistema penitenciário do Estado do Rio, que participou do encontro no gabinete da presidência em São Paulo, localizado na Avenida Paulista. Respondeu:

“É uma ideia absolutamente irreal, de uma onipotência, querer reduzir drasticamente a circulação de maconha na América do Sul, como ele falou. É grave ele achar que vai ter esse poder. O plano Colômbia fez com que os Estados Unidos injetassem bilhões de dólares contra as plantações de coca e isso não foi suficiente”, disse

O ministério também quer turbinar a Força Nacional, criando um pelotão de sete mil homens e que terá funções mais abrangentes do que as atuais. Super poder pra matar ainda mais.

Outra ideia apresentada pode gerar atritos com o STF. Moraes quer usar os recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para a segurança pública e não para investimentos nos presídios. Em setembro, o STF mandou o governo descontingenciar os recursos do fundo e retomar os investimentos no sistema carcerário, que deverá dar muito pano pra manga até ano que vem ou enquanto durar o golpe.

Os presídios, no entanto, precisariam de mais investimentos, porque provavelmente ficariam mais cheios. Moraes de fato quer apresentar ao Congresso uma proposta que endureça a progressão de pena, para que os presos cumpram mais do que um sexto da pena antes de progredir para o regime semiaberto.

Escreva seu comentário

1 COMMENT

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here