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“O grito “não vai ter copa” não tem nada a ver com a seleção brasileira de futebol. A indignação é contra essa elite podre brasileira, que se aproveita do nosso futebol para acumular mais capital. Aproveita nossas raízes monarquistas escravocratas para remover os pobres de seus históricos locais.” 

Antes que o sistema Globo tivesse acabado com todos seus concorrentes, existia, no Rio de Janeiro, o Jornal do Brasil. Na penúltima página do primeiro caderno do JB, João Saldanha tinha uma coluna diária, onde ele politizava o futebol.

Em copas do mundo de futebol, João Sem Medo escrevia sobre a exploração que acontecia em cima do esporte bretão. Com toda a moral do técnico das maiores gerações de futebol do Botafogo, bicampeão pelo seu time de coração, ele foi afastado da copa de 1970, porque, em pleno regime militar, disse ao ditador Médici que podia nomear seus ministros, mas era ele quem escalava sua seleção.

No time de João Saldanha, nem Presidente do Brasil escolhe jogador


Comunista de carteirinha, tendo apoiado movimentos armados contra o capitalismo, João Saldanha escreveu sobre a exploração nacionalista do futebol em sua coluna. Décadas depois, com a FIFA e tantas marcas internacionais, estamos vendo que o conceito de soberania vem sendo expurgado do espaço.

Enquanto isto, exploram o futebol para o nacionalismo. Querem que todo o Brasil seja um só. Mas como, se vivemos numa das maiores desigualdades sociais do planeta? Particularmente, apesar de pertencer à elite branca privilegiada, não tenho qualquer relação com essa elite milionária e bilionária brasileira. Meu Brasil não é o mesmo que o dela e não sou torcedor do mesmo Brasil que o deles.

Como dizia Saldanha, não é “Brasil contra a Argentina”, pois temos grande hermanos, como o próprio Che Guevara: é a “seleção de futebol” do Brasil contra a “seleção de futebol” da Argentina, o que não passa de uma grande disputa futebolística. Tenho muito mais identidade com os revolucionários argentinos do que com essa podre elite dos nossos dois países. Meus companheiros são os Montoneros, que fizeram a luta armada contra a ditadura Argentina, como fizemos a luta armada contra a ditadura no Brasil.

O grito “não vai ter copa” não tem nada a ver com a seleção brasileira de futebol. A indignação é contra essa elite podre brasileira, que se aproveita do nosso futebol para acumular mais capital. Aproveita nossas raízes monarquistas escravocratas para remover os pobres de seus históricos locais. Ao fazerem isso, não querem saber se existe vizinhança, irmandade, relações fraternas entre famílias, querem se aproveitar do futebol para realizar a gentrificação.

O futebol nada tem a ver com isso. Foi Garrincha que acabou com o complexo de vira lata do Brasil pois, aí sim, podemos dizer que somos brasileiros como o Mané.

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