Apoiomedicos maconha

A Adriana Kuchler esteve no evento e trouxe as informaçõs para Folha de S. Paulo. Na entrada tinha um aviso, Absolutamente NÃO é permitido o uso de cannabis no evento. Por favor, respeite nosso ponto de encontro e nossas leis de merda.

Cerca de cem pessoas compareceram ao evento e acataram respeitosamente as leis e o pedido acima, destacado no convite. Ninguém fumou, mas nem por isso a maconha deixou de ser o foco da atenção coletiva.

Aquele era o primeiro encontro do ano da High NY (“high”, em inglês, quer dizer alto ou chapado), comunidade que conecta ativistas, empreendedores e usuários ligados à erva em Nova York.

Com cerca de 1.100 membros cadastrados, a cada mês o grupo promove palestras educativas sobre um tema diferente —de “comestíveis e concentrados” até “maconha e paternidade”.

O assunto é quente. Seguindo a onda de Estados americanos que estão liberando a planta para usos variados (pessoal, medicinal, comercial), Nova York acaba de abrir os primeiros dispensários para venda -com prescrição médica e só para um número limitado de doenças—, o que atrai para os encontros tanto gente em busca de alívio para problemas físicos quanto “businessmen” de olho num novo negócio promissor.

Naquela noite na casa do saber da maconha, apareceu muita gente na faixa dos 40 e 50 anos, senhoras, homens de cabelo branco. Ninguém de dreadlock ou camiseta do Bob Marley.

“O público mais maduro foi tomando espaço dos mais novos”, diz Michael Zaytsev, organizador do grupo. “Os jovens têm medo de investir nisso por causa do estigma. Quem já tem reputação, família, carreira, capital não se intimida.”

O palestrante da vez era um pop star do movimento: Ethan Nadelmann, diretor-executivo da Drug Policy Alliance, ONG conhecida por defender a regulamentação e combater a chamada guerra contra as drogas. “Aos poucos, estamos conseguindo mudar a imagem da maconha. Afinal, os últimos três presidentes fumaram [Clinton disse que experimentou, mas não tragou; Obama tragou, e George W. Bush confessou, em gravações vazadas, ter fumado]”, diz Ethan.

Engajado, o público quis saber sobre a produção de cannabis por tribos indígenas americanas e sobre a posição dos candidatos à Presidência em relação à maconha. Nem Hillary Clinton nem Bernie Sanders, possíveis candidatos democratas, sentem-se “muito confortáveis” com o tema, segundo Ethan.

Michael quer juntar no seu grupo só quem se sente confortável. Há um ano e meio, seu amigo Josh Weinstein, que nunca tinha dado um “peguinha”, criou a comunidade. Michael, que “curtia a planta”, logo acabou assumindo a organização do High NY e até promoveu o primeiro Cannabis Film Festival da cidade, em 2015.

“Tem muita gente em Nova York apaixonada pelo assunto que não tinha onde se encontrar”, diz ele, que durante o dia trabalha como “coach” de pessoas e negócios. “Muitas parcerias já surgiram nos nossos eventos. Sempre digo que a maconha é a rede social original. Tenho certeza de que, se eu for para o Brasil e encontrar pessoas ligadas ao assunto, vamos ficar amigos rapidamente.”

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