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A pesquisa foi feita em uma Universidade canadense e acompanhou mais de 200 maconheiros e outros 200 não fumantes por 4 anos. O resultado? Menos dores, melhor humor e NENHUM risco relacionado ao uso da erva para o time da maconha. Leia mais no texto da Motherboard da revista VICE.

A Universidade de McGill em Montreal, no Canadá, enfim divulgou os resultados do primeiro e mais longo estudo sobre maconha no tratamento de dores crônicas. Depois de quatro anos de pesquisa, o veredicto foi de que o cérebro de ninguém virou ovo frito. Ou, em outras palavras, o uso da erva para fins medicinais é seguro.

Os pesquisadores acompanharam 215 fumantes veteranos que consumiam 2,5 gramas de maconha ao dia e 216 não-fumantes entre 2004 e 2008. Todos os analisados sofriam de uma série de dores crônicas não ligadas ao câncer. Durante o processo, os participantes passaram por exames pulmonares e de sangue e também tiveram testadas suas capacidades cognitivas e memória. Qualquer tipo de efeito adverso, incluindo leves dores de cabeça e problemas mais sérios, devia ser relatado pelos participantes.

Em um artigo com a descrição dos resultados publicado no The Journal of Pain, os pesquisadores escrevem que os usuários de cannabis relataram menos dor, melhor humor no geral e nenhum risco aumentado de sérios efeitos adversos em comparação ao grupo de não-fumantes. As funções cognitivas, bem como a memória, “melhoraram em ambos os grupos”, de acordo com os pesquisadores.

“Os resultados sugerem que a maconha em doses médias de 2,5 gramas por dia em usuários atuais de cannabis pode ser segura como parte de um programa cuidadoso de tratamento de dor quando tratamentos convencionais forem considerados inapropriados ou inadequados do ponto de vista médico”, afirmam os autores.

O que não quer dizer que o consumo frequente não traga problemas. Ao comparar com o grupo não-fumante, os fumantes relataram mais efeitos adversos não-graves, tais como tontura e problemas respiratórios leves associados ao fumo.

“Doenças respiratórias e outros efeitos colaterais menores são riscos existentes, mas muito mais modestos (em minha opinião) do que os riscos que as pessoas creem existir”, afirmou via email o Dr. David Casarett, médico da Universidade da Pensilvânia. “Trata-se de uma comprovação útil.”

Apesar de toda a controvérsia em torno da legalização da maconha medicinal nos EUA – que já é legal no Canadá – a maioria dos pesquisadores tem se voltado para o uso recreativo da droga, declarou Casarett. A maconha medicinal segue um campo pouco estudado. Algumas dessas pesquisas sobre uso recreativo focam nos supostos males, como artigo recente que concluiu que o uso casual da droga pode causar anomalias cerebrais. (Depois se descobriu que havia sérios problemas com a metodologia empregada.)

“Este estudo era composto por usuários medicinais da droga em casos muito específicos (dor)”, continuou Casarett. “Certamente deve servir como base para a legalização do uso médico.”

O estudo da McGill tem diversas limitações, comentam os autores. Segundo eles, a pesquisa não deve ser encarada se tratasse de todo e qualquer uso de maconha. Um ano talvez não seja o suficiente para registrar todos os efeitos adversos sérios, por exemplo. A maior parte dos participantes já fumava há um tempo e a droga utilizada tinha um índice de tetrahidrocanabinol de 12,5% (principal agente psicoativo da maconha, o THC) – nem mais, nem menos. Acontece que os níveis de THC da erva podem variar de 10% a quase 30%, caso a planta seja cultivada pelos mais meticulosos produtores.

Os resultados da pesquisa, logo, são aplicáveis somente a fumantes experientes ao lidar com dores crônicas. Independentemente disso, a maconha é uma droga subestudada – nem mesmo sabemos o que causa um de seus efeitos colaterais mais conhecidos, a larica. Um estudo deste porte é uma contribuição importante ao corpus de conhecimento atual do quão seguro (ou não) é ficar chapado.

 

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