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O café pode aprimorar os efeitos da maconha? Um estudo publicado recentemente no Journal of Neuroscience¹ feito por neurocientistas da Integrative Neurobiology Section do Instituto Nacional de Abuso de Drogas, uma subdivisão do Instituto Nacional de Saúde, finalmente forneceu uma resposta definitiva: Sim, Não e isso depende. Sei que parece confuso, mas essa descoberta fornece algumas fascinantes perspectivas sobre o funcionamento do cérebro, e porque os seres humanos encontraram nessas substâncias, café e maconha, algo tão agradável. Os seus efeitos eufóricos pode estar relacionados entre si.

Talvez, o seu primeiro questionamento referente a isso possa ser: “por que alguém se importaria com isso?” Estes cientistas foram motivados para investigar essa questão com o surgimento de alguns resultados surpreendentes em macacos que eram adictos em um dos princípios ativos da maconha, o Delta-9-Tetrahidrocanabinol (THC). Estes macacos poderiam livremente auto-administrar suas doses de THC como quisessem, doses altas ou baixas. Aos macacos foram então dadas duas drogas experimentais diferentes, que reproduziram algumas das ações da cafeína no cérebro. Dependendo do fármaco utilizado, os macacos aumentaram ou diminuíram a auto-administração do THC. Os cientistas estavam interessados em compreender como isso aconteceu.

A cafeína tem apenas uma ação conhecida no cérebro; ela bloqueia o receptor para o neurotransmissor químico, a adenosina . Os receptores da adenosina atua em ambos os lados das sinapses. A sinapse é a conexão entre um neurônio e o outro. Desta forma, os receptores de adenosina estão envolvidos no controle de ambos os lados da sinapse. O que os cientistas descobriram foi que o bloqueio pré-sinápticos dos receptores de adenosina fez com que os macacos pararem a sua auto-administração de THC. Em contraste, o bloqueio dos receptores pós-sináptico da adenosina causaram nos macacos um aumento na sua auto-administração de THC. Um trabalho anterior do mesmo grupo de investigação² (em ratos) mostrou que a cafeína agrava a deterioração da memória induzida pelo THC, sugerindo fortemente que o café poderia realmente aumentar, não apenas, o potencial viciante, mas os efeitos negativos na cognação, ja conhecidos da maconha. Isto seria, particularmente, importante em adolescentes, quando o cérebro é mais vulnerável aos efeitos negativos da maconha.

O problema é que o café não sabe diferenciar entre um receptor de adenosina pré ou pós-sináptico (PIPS). Este é o lugar onde a história se torna bastante interessante. Os resultados deste estudo sugerem que baixas doses de cafeína devem diminuir a auto-administração da maconha e que altas doses de cafeína irá aumentar a sua auto-administração. O que permanece ainda desconhecido é se beber muita café vai aumentar a euforia maconha.

Este relatório recente é consistente com uma publicação anterior por um grupo de cientistas³ de Roma que exploraram a possibilidade de que propriedades viciantes do café também envolvem o mesmo sistema neurotransmissor da maconha no cérebro. Tomados em conjunto, os resultados destes estudos sugerem que esta é a forma como a longo prazo o apego ao café parece desenvolver-se em seu cérebro.

Quando você começou a beber café, a excitação era tudo o que queria e também tudo o que essa substancia tem a oferecer. Ainda assim, ficar mais atentos e vigilantes era tudo que precisava para passar o dia. Em última análise, devido à tolerância, você, futuramente, precisava de mais e mais café a cada dia para atingir o mesmo nível de excitação e vigilância. Enquanto tudo isso estava acontecendo, alguma coisa muito mais misteriosa estava acontecendo dentro de seu cérebro, a cafeína tinha começado a estimular o sistema neurotransmissor endógeno da maconha no seu cérebro. Esses ajustes bioquímicos evitam que a terceira ou quarta xícara de café não serão o suficientes para chegar aos antigos níveis de excitação e vigilância.

Aparentemente, altas doses de café nos faz sentir tão bem, porque é capaz liberar praticamente todos os processos bioquímicos do nosso atual sistema de recompensa do cérebro. Escondido dentro desse elixir de seda preto quente é um produto químico que assumiu o comando do seu cérebro, imitando as ações de maconha. Estes novos estudos fornecem uma visão sobre um perigo potencial da cafeína para aumentar os efeitos cognitivos e negativos que causam a dependência de maconha.

OBSERVAÇÃO:

Os macacos não receberam cafeína diretamente, mas drogas que reproduziram alguns dos seus efeitos no cérebro.

Gary L. Wenk, Ph.D. é professor de Psicologia e Neurociências & Virologia Molecular, Imunologia e Genética Médica da Universidade e do Centro Médico do Estado de Ohio, membro da Associação Americana para o Avanço da Ciência,fez contribuições fundamentais no campo da neurofarmacologia, doenças neurodegenerativas e processos neuroinflamatórios, é o autor do livro Your Brain on Food: How Chemicals Control Your Thoughts and Feelings, segunda edição (em tradução livre, Seu Cérebro e os Alimentos: Como a Química Controla os seus Pensamentos e Sentimentos), publicado pela editora da Universidade de Oxford.

Tradução e interpretação: The role of marijuana in your coffee addiction

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