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Por Diego Souza Ferreira¹

Diego Souza LEAP Fabio Jalowski 02
Diego é agente da lei e a favor da legalização das drogas – Foto Fábio Jalowski

Quando somos pequenos e jovens temos nossos sonhos e brincadeiras sempre relacionados com o bem e o mal, o mocinho e o bandido, o policial e o ladrão. Buscamos nos posicionar nessa dualidade da vida, o certo e o errado. O sonho de ser policial, surge na infância, pois acreditamos que o agente da lei possui superpoderes, que ele é um super-herói que fará o bem e a justiça.

O policial é um exemplo da sociedade, ou pelo menos deveria ser. Ele representa o Estado, a correção. Ele é um agente da Lei. Deve cumprir e fazer cumprir os ditames legais. Assim, quando vemos uma notícia de que um o policial torturou um cidadão ou matou uma pessoa, surge um questionamento. Esse policial está aqui para nos proteger ou para nos matar?!

Já adultos, os policiais percebem que não têm habilidades sobrenaturais, mas continuam a fazer ações hollywoodianas, como: entrar em uma comunidade conflagrada pela violência, sozinho ou apenas dois, com duas armas, uma em cada mão, mochila de suprimentos, fuzil nas costas preso pela bandoleira e temos a pretensão que resolveremos alguma coisa.

Desde criança sonhamos em ser astronauta, piloto de avião, piloto de carro e policial, atividades que se assemelham na aventura e no risco, contudo se distanciam quando percebemos qual delas tem relevância direta na sociedade em que vivemos e na vida de todos nós. Ao investigar crimes, perseguir “bandidos” e os prender, temos a consciência de que nosso trabalho é o correto e estamos fazendo justiça.

Agora, quando “caçamos” pessoas como se fossemos cães raivosos, efetuamos a prisão/captura dela, pelo simples fato de ela estar portando uma substância ou produto, que na atual legislação é ilegal, agimos dentro da Lei, contudo, no meu entender, desvirtuados de um ideal de justiça, fraternidade e igualdade. A situação fática é naturalmente e normalmente imutável, geralmente indivíduo vulnerável, que não prejudicou a sociedade, não fez mal a outrem, não lesionou nem prejudicou direito alheio concreto e por uma concepção, ao meu juízo, equivocada da Lei, temos que prendê-lo e mandá-lo para a prisão.

Enfim, o imaginário de justiça que nos quadrinhos americanos se caracteriza pela “Liga da Justiça” onde os super-heróis buscam salvar as pessoas dos vilões e malfeitores e garantir a paz no mundo está um pouco longe de se tornar realidade na nossa presente sociedade. Em uma “guerra contra às drogas” onde policiais matam e são mortos, precisamos de um superpolicial para nos salvar.

¹Inspetor de Polícia, pós-graduado em Segurança Pública e Cidadania pela UFGRS. Trabalha no Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico-DENARC, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Membro do Conselho Estadual de Políticas sobre drogas – CONED-RS e Porta-Voz, no Brasil, do movimento Law Enforcement Against Prohibition (Leap- Brasil).

Fotos por: Fábio Jalowski

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