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O corpo caloso é uma estrutura do cérebro localizada na fissura longitudinal que conecta os hemisférios cerebrais direito e esquerdo. Descubra o que acontece quando você gera uma concentração de THC no cérebro…

Uma pesquisa realizada pelo King’s College, de Londres, liderada pelo renomado psiquiatra lusitano Tiago Reis Marques concluiu que, dentro do grupo estudado – 99 indivíduos, dos quais: 56 já possuíam histórico de surtos psicóticos e 43 indivíduos saudáveis – as linhagens com alta concentração de THC alteram a estrutura e a função do Corpo Caloso (a estrutura cerebral que controla a ligação entre os dois hemisférios) que é rica em receptores canabinóides.

Os resultados obtidos por meio da técnica DTI de Ressonância Magnética (DTI: Diffusion Tensor Imaging) concluiu que linhagens com alta concentração de THC e o seu uso continuo alteram de forma significativa essa estrutura cerebral (Corpo Caloso), independente do grupo, seja pacientes saudáveis ou pacientes com histórico de surtos psicóticos. A mesma pesquisa também concluiu que a não utilização de linhagens de alto teor de THC, em ambos os grupos, não demonstraram alterações.

O estudo liderado pelo lusitano Tiago utilizou como referência somente as moléculas do THC e linhagens com alto teor da mesma, porem um estudo brasileiro disponível na SciELO da Revista Brasileira de Psiquiatria (Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria) liderada pelos pesquisadores José Alexandre S. Crippa, Antonio Waldo Zuardi, Jaime E. C. Hallak (Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil; INCT Translacional em Medicina (CNPq), Ribeirão Preto, SP, Brasil) demonstrou o efeito antipsicótico de outra molécula da maconha, o CBD (Canabidiol), tendo ação inclusive sobre a molécula do THC.

a09tab01“Um recente estudo com RMf conduzido em conjunto com desafio farmacológico com CBD e THC confirmou a ideia do potencial antipsicótico do CBD. Neste estudo, os autores verificaram que o THC e o CBD apresentaram efeitos opostos na ativação de diversas áreas cerebrais usando diferentes tarefas. Em um segundo experimento, o pré-tratamento com o CBD foi capaz de prevenir a indução aguda de sintomas psicóticos induzidos pelo THC. Este resultado é consistente com o achado de que os sujeitos usuários de amostras de cannabis que contêm mais CBD em adição ao THC têm menor propensão de apresentar sintomas psicóticos do que aqueles que fumam amostras de cannabis sem CBD”.

 

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Outro estudo publicado no Journal of Psychopharmacology (Cannabidiol inhibits THC-elicited paranoid symptoms and hippocampal-dependent memory impairment) concluiu que:

“Estudos comunitários sugerem que produtos de cannabis que são ricos em Δ9-tetrahidrocanabinol (THC), porem pobres em canabidiol (CBD) são particularmente perigosos para a saúde mental. Estudos de laboratório são a base para clarificar essa ideia em questão, porque o THC e CBD podem ser administrados na forma pura, sob condições controladas. Em um design “entre sujeitos” testamos a hipótese de que o pré-tratamento com THC-CBD provocou psicose e comprometimento cognitivo. Participantes saudáveis ​​foram distribuídos aleatoriamente para receber via oral CBD 600mg (n = 22) ou placebo (n = 26), 210 min antes da administração intravenosa (IV) de THC (1,5 mg). Pós-THC, houve menores escores positivos da PANSS no grupo CBD, mas esta não atingiu dados de significância para estatística. Contudo, clinicamente significativos sintomas psicóticos positivos (definidos a priori como aumentos ≥ 3 pontos) foram menos provável no grupo CBD em comparação com o grupo placebo, o rátio de probabilidade (Odds ratio) = 0,22 (χ2 = 4,74, p <0,05). Em concordância, a paranoia pós-THC, como avaliado por meio da SPSS (qui-quadrado de Pearson ou Fisher e teste t) foi menor no grupo de CBD em comparação com o grupo placebo (t = 2,28, p <0,05). Memória episódica, indexados pela pontuação na Aprendizagem Verbal de Hopkins (HVLT-R) era mais pobre em relação à linha de base, no grupo placebo pré-tratada (-10,6 ± 18,9) em comparação com o grupo CBD (-0,4% ± 9,7%) (t = 2,39, p <0,05). Estes resultados suportam a ideia de que os produtos de cannabis com alto teor de THC e baixo teor de CBD são associados com aumento dos riscos para a saúde mental”.

O grande impacto do estudo do lusitano Tiago é sobre como agem os princípios ativos da maconha, em particular o THC, nessa estrutura do cérebro responsável pela comunicação dos dois hemisférios, o Corpo Caloso, algo até então com poucas, ou nenhuma, informação. Salientando que esse estudo em especifico obteve resultados em LINHAGENS COM ALTA CONCENTRAÇÃO DE THC, não sendo mencionadas as linhagens com concentrações “normais” (toleráveis) ou com uma mistura ou uma boa concentração de CBD (canabidiol), que é um antipsicótico natural presente na planta.

Tiago Reis Marques disse ao Noticias de Coimbra: “Os resultados deste estudo, ao mostrar que utilizadores de cannabis de alta potência têm lesões cerebrais significativas relativamente aqueles que não a utilizam, deve servir de alerta para a opinião pública, profissionais de saúde mental e decisores políticos sobre o tipo de lesão cerebral que estas drogas podem causar. Nos últimos anos temos vindo a alertar para o facto de se verificar um aumento significativo na potência da cannabis, com variedades muito fortes acessíveis a qualquer consumidor. Assim, quer o tipo de cannabis consumida, quer a sua potencia e frequência devem ser cuidadosamente avaliados o que pode ajudar a quantificar o risco para uma doença mental”.

Finalizando, a charge do The Awkward Yeti no inicio dessa matéria traduz muito bem a função do Corpo Caloso, afinal alguns sites de noticias estão falando somente em THC E NÃO EM ALTAS CONCENTRAÇÕES DE THC! A informação é fundamental para os usuários, sejam recreativos ou medicinais, mas não com escopo sensacionalista para querer alimentar o seu comercio ilegal, o qual o usuário nunca irá saber as concentrações de THC, podendo ou agravar ou disparar o gatilho de um surto psicótico. A pesquisa fortalece ainda mais a regulamentação do comercio de maconha, pois somente assim poderemos especificar níveis de THC e alertar para o uso prejudicial de linhagens de alta concentração. Um bom exemplo são as bebidas etílicas que existem as especificações de graduação alcoólica e no Brasil não são permitidas a comercialização ou produção bebidas com graduação superior a 54º.

2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela movimentação João sua articulação foi bem colocada e o texto é leve bem gostoso de ler. Gostaria de pontuar algo relação aos indicadores de psicose do segundo estudo, como eles não estão claros, podemos questionar a validade das reais diferenças do grupo controle e do grupo experimental. Sobre o estudo br: acaba validando melhor os efeitos antipsicóticos do CBD, e isso até acaba sendo mais claro por conta da especificação do momento de cada aplicação. Nós aqui do br temos que produzir mais estudos a respeito desse tema. Temos que ser mais críticos!

  2. Muito bom artigo bom para que prestemos atenção, não saiamos pelos seedsbanks buscando apenas a maior concentração de THC.

    Quanto ao estudo brasileiro, eu desgosto de saber que é o do dr. Cripa, sei lá, achei ele muito tendencioso no senado.

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