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O procurador-geral da República parece bem confuso: durante julgamento do recurso que pede a regulamentação da maconha pelo STF, Rodrigo Janot usou o argumento de que 90% dos usuários de maconha se tornam dependentes da “droga”. Porém, pesquisas e estudos mostram que, dos que experimentam a erva do bem, apenas 1 entre 10 se tornam viciados. As informações são da Folha de S. Paulo.

“Noventa por cento das pessoas expostas à maconha se tornam viciadas”, sustentou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta quarta-feira (19), no Supremo Tribunal Federal, em argumentação contrária à descriminalização do porte de drogas para uso pessoal.

O dado causou estranheza e até perplexidade entre especialistas em dependência química. “Essa informação parece piada, do ponto de vista médico”, diz Artur Guerra, presidente do ICAA (Conselho Internacional de Álcool e Dependências, na sigla em inglês).

Ele aponta que grande parte dos estudos internacionais mostra que um em cada dez, ou seja, 10% dos que experimentam maconha se tornam dependentes -exatamente o contrário daquilo citado por Janot.

“Não acredito que [Janot] tenha sido alimentado com dados inconsistentes. Como faltam estudos brasileiros, cada uma aceita o que quer de acordo com suas convicções. Precisamos de mais dados e de menos paixões”, diz.

Dartiu Xavier da Silveira, professor da Universidade Federal de São Paulo e especialista em dependência química, avalia a informação usada por Janot como “absurda” e diz ser difícil não pensar em má-fé. “Numa situação tão delicada, o sujeito vai falar de um dado sem verificá-lo antes?”, questiona.

Segundo estudo da Universidade John Hopkins, nos EUA, citado por Silveira, 9% de quem usa maconha se torna dependente. No caso do álcool, o percentual sobe para 15%. No do tabaco, 33%.

Dados oficiais do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC) apontam que 20% dos usuários de psicoativos do mundo consomem 80% das drogas no mercado, enquanto 80% dos usuários consomem 20% das drogas. “Isso quer dizer que 80% dos consumidores de drogas não são problemáticos e seu consumo não acarreta problemas graves”, explica Rafael Franzini, represente do UNODOC no Brasil.

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