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No dia 14 de janeiro, o CBD foi reclassificado pela ANVISA para a lista C1, o que significa que a substância pode ser prescrita através de uma receita de controle especial em duas vias, válida por 30 dias após sua emissão e em todo o território nacional, com tempo de tratamento de cada receita limitado a 6 meses.

Vejo muitas pessoas revoltadas com a decisão e digo que estão certos, em partes.

Em partes, vocês estão certos pois essa reclassificação atinge tão somente as famílias com poder aquisitivo para importar o medicamento, já que a produção ainda é ilegal no Brasil. Estão certos porque as famílias carentes terão de enfrentar a burrocracia do SUS para conseguir um remédio que precisam com urgência. Estão certos pois tal ação não minimiza a violência da guerra às drogas. Estão certos porque a melhor saída seria o cultivo e produção caseira, sem precisar gastar fortunas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Estão certos pois querem a sintetização da substância e beneficiar somente o Crippa e a indústria farmacêutica.

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Nestes pontos concordo e dou toda a razão a vocês.

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Até 2011, antes do julgamento da ADPF 187, que teve como relator o Min. Celso de Mello, não era possível sequer falar o nome “maconha” sem ser enquadrado no crime de apologia às drogas. Após muita manifestação conseguimos o direito constitucional de reunião e de livre expressão do pensamento, o que ampliou e abriu o debate pela descriminalização e regulação das drogas, em especial a maconha.

Os anos se passaram, marchas ocorreram e o debate, apesar de continuar ocorrendo, esfriou. Somente em 2014, com a entrada da SUG8, iniciativa de proposta que teve mais de 20 mil assinaturas para debater o tema no senado, que o assunto voltou a ser discutido, dessa vez no Senado Federal, algo que nem sonhávamos que poderia acontecer. Apareceu também a campanha “Repense” e o filme “Ilegal”, que no inicio sensibilizou MUITA gente e, principalmente, nossos senadores e deputados, antes de virar um grande abacaxi.

A proposta, o filme e a campanha abriram um enorme leque para o debate, o que se tornou uma faca de dois gumes pois, ao mesmo tempo que ganhamos espaço e voz para falar e mostrar as mazelas da guerra às drogas, em especial à maconha, os proibicionistas juntamente com lobbystas também ganharam tal espaço, já que vivemos numa democracia. O resultado disso foi a desastrosa empreitada dos “pais do CBD”, que desesperados pela urgência em tratar seus filhos, iniciaram campanhas e alianças (com proibicionistas) que apenas causam retrocesso à causa resultando em segregação do movimento antiproibicionista e na desinformação da população quando quiseram separar o CBD da maconha.

Por conta disso, alguns acham que tudo o que ocorreu em 2014 trouxe apenas retrocesso para a luta. Digo que isso é uma visão simplista de um processo muito mais complicado do que imaginávamos. A reclassificação do CBD é o primeiro passo para quebrar o tabu sobre a erva, abrindo posteriormente, a possibilidade de reclassificação do THC e todos os outros canabinóides.

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Como bem analisado pelo Dr. André Barros, advogado da Marcha da Maconha, ‘a proibição do cultivo da maconha para fins medicinais, depois da aprovação da ANVISA, é bárbara e, em nosso extenso país, com tantos pobres precisando do remédio, criminosa. Essa proibição da plantação deve ser esclarecida. A quem interessa proibir a produção interna e autorizar somente a importação?’

“Mas que vergonha, mas que vergonha; importar o CBD e proibir plantar maconha!” – André Barros

Por fim, deixo o pedido para todos apoiarem a nova proposta de debate, inserida recentemente (22) no portal e-Cidadania, para colocar em pauta o cultivo caseiro de até 12 plantas, de Maconha, na Comissão de Cultura de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, e que LOTEM ÀS MARCHAS DA MACONHA por todo o Brasil.

Porque enquanto não houver a regulação da maconha vidas continuarão sendo ceifadas, seja  pela impossibilidade do uso medicinal da maconha ou por causa da Guerra às Drogas que gera vítimas diariamente. Cultivadores caseiros que ao invés de financiar o tráfico cultivam a sua própria erva e inclusive aqueles que produzem o óleo ajudando muitos pacientes continuarão sendo presos como traficantes, além de toda economia que comprovadamente não pode ser ignorada continuará nas mãos do crime organizado, então por esses e diversos motivos é que só liberar a Maconha Medicinal não funciona!

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