Apoiomedicos maconha

Após cinco audiências públicas — de um total de sete programadas — para fundamentar a decisão dos senadores sobre a sugestão que prevê a regulamentação do uso da maconha (SUG 8/2014), o relator da matéria, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), disse considerar que já há argumentos suficientes para admitir o uso medicinal da droga. Ele ressaltou, no entanto, que ainda não chegou a uma conclusão sobre o uso recreativo da maconha. Os detalhes na reportagem de Bruno Lourenço, da Rádio Senado.

 

O debate sobre a legalização do uso da maconha para fins medicinais e recreativos vem sendo feito na Comissão de Direitos Humanos (CDH) e é fruto de uma sugestão popular apresentada por meio do Portal e-Cidadania que recebeu mais de 20 mil assinaturas de apoio. Para Cristovam, uma coisa já ficou clara com os debates de até agora.

“A proposta que aqui chegou trazia a discussão em torno do uso para fins recreativos e para fins medicinais. Com o debate feito até aqui, eu já tenho argumentos suficientes para ver que é preciso, sim, aproveitar o poder medicinal que essa erva tem. Não dá para deixar tanta gente sofrendo por causa de um preconceito sobre o uso de uma droga”, afirmou o senador.

O uso medicinal, entretanto, levanta uma série de questões que ainda precisam ser esclarecidas, segundo o relator da proposta. “Vai ser produzida em uma farmácia, como o remédio que se toma para dor, que veio do ópio, que é proibido como droga, mas que é usado como matéria-prima? E aqueles que usam maconha para se proteger durante os tratamentos de quimioterapia, que têm de tomar o chá? A gente vai deixá-los produzir ou não? Mas, se deixá-los produzir, como é que vai limitar o tamanho?”

Cristovam explicou que a CDH vai fazer mais duas audiências públicas. Aí ele terá condições de apresentar o relatório sobre a sugestão de regulamentação da maconha. “Eu, hoje, não tenho posição sobre se a regulamentação é um caminho melhor ou pior do que o proibitismo de hoje. Mas tenho uma conclusão, sim: o proibitismo não está funcionando.

Pesquisadores, membros do governo, Ministério Público, Judiciário, polícia, representantes da ONU, psicólogos e psiquiatras, além de dezenas de pessoas que tiveram oportunidade de usar da palavra, participaram dos debates até o momento.

Nas reuniões já realizadas, apesar da falta de consenso sobre a liberação da droga para uso recreativo, houve forte apoio à liberação da maconha para fins medicinais. O uso terapêutico de substâncias como o canabidiol (CBD) tem se mostrado eficiente em pacientes que sofrem de condições como epilepsia grave, esclerose múltipla, esquizofrenia e mal de Parkinson.

Na Pontinha ~

Em tempo vale lembrar que tão importante quanto a regulação do uso medicinal da maconha é a regulamentação da forma recreacional; enquanto isso não ocorrer, muitas mães continuarão chorando pelos seus filhos vitimados pela guerra às drogas que na realidade acaba sendo contra os jovens, negros e moradores de periferias. E por fim revertendo a sociedade, investidos em saúde e educação, uma grande parte da renda que hoje é direcionado ao tráfico de drogas.

Foto: Agência Senado

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