Apoiomedicos maconha

Nunca os americanos foram tão favoráveis à legalização da maconha para uso recreativo e medicinal. Pesquisa do Gallup, divulgada pelo “Washington Post” na semana passada, revela que 60% da população adulta acha que o consumo da marijuana deve ser descriminalizado, o maior nível de apoio em quase meio século de pesquisas. Outro levantamento, este do Pew Research Center, divulgado na semana anterior, confirma a tendência, apontando 57% de apoio à legalização.

A pesquisa do Gallup revela ainda que o apoio à legalização cresceu na última década em praticamente todos os grupos demográficos. Hoje, cerca de 80% os americanos entre 18 e 34 anos apoiam a medida. Há dez anos, esse percentual era de 44%. O único grupo que não é amplamente a favor da legalização é o de americanos com 55 anos ou mais. No espectro político, o apoio entre republicanos mais do que dobrou na década passada, para 42% hoje. Entre os democratas, o percentual é de 67%; e, entre os independentes, 70%.

Para se ter uma ideia da mudança de posicionamento ao longo das últimas décadas, quando o Gallup perguntou pela primeira vez sobre a legalização em 1969, apenas 12% apoiavam a proposta. Nos anos 1970, o apoio subiu para 28%, mas voltou a cair para algo entre 20% e 25% ao longo dos 1980 e 1990, justamente quando o governo federal lançou sua política de guerra às drogas.

Hoje, o consumo medicinal e recreativo de maconha já é legal em Colorado, estado de Washington, Oregon, Alasca e em D.C. Mais cinco estados vão realizar consultas sobre a legalização do consumo para fins recreativos: Califórnia, Massachusetts, Maine, Arizona e Nevada. Nesse caso, as pesquisas apontam uma margem mais apertada a favor da legalização e empate técnico em Nevada.

O Gallup também mostrou que o engajamento na luta pela descriminalização da maconha se espelha em movimentos sociais, como a luta por direitos LGBT. Faz sentido. A criminalização do usuário se mostrou ineficaz para conter o consumo e a dependência. O uso da maconha deve ser tratado no âmbito da saúde pública, deixando para as autoridades de segurança a repressão ao tráfico ilegal.

Grupos contrários à descriminalização têm recorrido a argumentos sem base em suas campanhas, tais como afirmar que a legalização do consumo vai aumentar o número de pessoas dirigindo sob o efeito da droga, que haverá consumo acidental por crianças e anúncios de maconha na TV durante a programação assistida por crianças e adolescentes. São argumentos laterais à questão central, que é tratar o consumo como um problema de saúde pública.

Analistas acham que, se a medida for aprovada na Califórnia, outros estados seguirão, elevando a pressão sobre o governo federal, que mantém uma política anacrônica em relação às drogas. Uma mudança de postura dos EUA poderá ter, por sua vez, um impacto positivo na discussão sobre o assunto na ONU e em outros países.

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