Apoiomedicos maconha

Outubro Rosa, Novembro Azul e Consciência Negra são os nomes escutados nas últimas semanas dentro do assunto conscientização. Não teria como falar de consciência sem fazer menção a esses três movimentos tão recentes, que geram uma grande mobilização e discussão na sociedade.

Em nossa cultura, olhar para o passado parece ser é um exercício muito pouco difundido. Sempre queremos um futuro melhor, mas pouco agimos para tê-lo. Por diversas vezes fazemos algo ou deixamos de tomar atitudes, simplesmente porque alguém um dia falou que aquilo era ruim ou bom. Até usamos macetes para trapacear o nosso cérebro, dando mais crédito para notícias que contenham os dizeres “de acordo com especialistas”, sem nem mesmo procurar sobre os mesmos. Vejo poucas pessoas verificando a fonte primária, a maioria repete o que escuta e acaba reproduzindo diversas inverdades por gerações e mais gerações.

Esse tipo de atitude alimenta quase todos os tipos de preconceitos da nossa sociedade e não questioná-los pode desencadear um atraso na consciência tão grande, que por mais ridículo que pareça, possibilita até mesmo transformar uma planta natural em algo demoníaco usado pelo próprio diabo para corromper as pessoas.

A Maconha era legalizada e dominava a maior parte das culturas agrícolas do mundo. Por milhares de anos ela é usada em tratamentos medicinais, cerimônias culturais e religiosas, além de ser matéria prima diversos tipos de produtos. Era considerada a fibra mais suave, robusta e durável do planeta. A maioria dos tecidos, óleos, papeis e fibras vinham da Maconha. A eficácia da planta era tão grande que chegaram a criar nos EUA uma lei que defendia a cobrança de impostos sobre os derivados da canábis, pois a competição com outros produtos era desleal.

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Mas o que aconteceu? Se é tão boa assim, de onde vem tanto ódio em cima de uma planta?
Ao olhar para o passado, a história nos conta que jornais e artigos americanos descreviam negros e mexicanos como animais frenéticos que fumavam Maconha, tocavam músicas do diabo e desrespeitavam os leitores (maioria branca). A manipulação da mídia, mais a competição desleal das substâncias contidas nesta erva, gerou uma forte opinião pública que mais tarde levou ao banimento de todas as espécies e uso da Maconha.
Ou seja, a proibição nasceu de um preconceito de classe, junto a uma manipulação dos direitos do povo (visando obter lucro). Foi usada e descartada por diferentes motivos “políticos” e “econômicos”, e o que mantém sua proibição até hoje é nada mais do que a manutenção deste preconceito, que sustenta uma série de mensagens erradas, reproduzidas sem questionamento algum pela maioria da população. É preciso falar sobre isso, todo mundo que conhece deveria projetar sua voz e ensinar sobre o assunto. Não ver as pessoas questionando, me faz pensar que a reprodução contínua de preconceitos, nos mostra o quanto não estamos conscientes de nossas ações.

mandela

Para você que está lendo esse texto, toda vez que pensar ou agir com repulsa a algo ou alguém, seja por um segundo, tente entender porque você sentiu isso. Pare para pensar se faz sentido continuar pensando assim. Tenta pensar se alguém sofre ou já sofreu por conta disso. Tenha empatia e vista a pele de quem está sendo oprimido todos os dias por conta de racismo, machismo, homofobia, transfobia, gordofobia e tantas outras formas de opressão. Nunca fez sentido para mim viver orientado pelo medo e opressão. Já estamos em 2015 e por conta desse tipo de atitude, muita gente ainda morre ou é excluída pela sociedade.
Assim como nós, que estamos tentando quebrar um preconceito forjado em cima da Maconha, podemos nos unir e juntar forças com todos que lutam para viver em lugar melhor, mais consciente e igualitário.

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